Não Olhe para a Lua =================== Às 3h27 da madrugada, todos os celulares do país despertaram ao mesmo tempo com um alerta de emergência. Não era clima. Não era um simulado. Uma única linha, em letras maiúsculas: "NÃO OLHE PARA A LUA." Sem remetente, sem detalhes, sem "leia mais". Um minuto depois, um segundo alerta: "Feche as janelas. Fique dentro de casa. Não olhe para cima até o amanhecer." E lá fora, as pessoas que não leram a tempo já estão paradas nas ruas, o rosto voltado para o céu. Sem piscar. Este é um terror colaborativo: cada um escreve a sua página daquela noite — do próprio apartamento, da própria cidade, com os próprios olhos (mas não para cima). O que você ouviu através da parede? Quem está batendo com a voz da sua mãe? Adicione a próxima página — só não olhe para a lua. — — — [Página 1 · Верховный] Às 3h27 da madrugada, meu celular gritou. Não tocou — gritou. Aquele tom de alerta de emergência que aperta alguma coisa dentro de você antes mesmo de você ler as palavras. Tateei à procura dele na mesa de cabeceira, apertando os olhos por causa do brilho. Uma única linha. Tudo em maiúsculas. Sem remetente. "NÃO OLHE PARA A LUA." Bufei. Uma pegadinha, um hackeamento, a piada idiota de alguém. Virei de lado. Então o celular gritou de novo. "Feche as janelas. Puxe as cortinas. Não saia de casa. Não olhe para cima até o amanhecer. Isto não é um simulado." Do outro lado da parede, o bebê dos vizinhos começou a chorar — e parou. Bruscamente demais. Levantei. A janela do meu quarto dava para o pátio, a cortina estava aberta, e uma luz estranha entrava — branca demais, clara demais para ser luz da lua. Estiquei a mão para fechar a cortina, mantendo os olhos no tecido, nas minhas próprias mãos. Lá embaixo, no pátio, havia pessoas paradas. Vizinhos de pijama, alguns descalços sobre o asfalto frio. Uns doze deles. Todas as cabeças jogadas para trás, encarando o céu. Nenhum se mexia. Nenhum piscava. E foi então que me dei conta de que eu não ouvia um único carro. Nenhum. A cidade inteira prendia a respiração. Meu celular tocou de leve uma terceira vez. Olhei para a tela. "4 horas e 1 minuto até o nascer do sol. Não se aproxime daqueles que olharam." — Timbrica · /collab-book