Sinais de AVC: teste passo a passo BE‑FAST
Verificação passo a passo dos sinais de AVC para quem está ao lado da pessoa: equilíbrio, visão, rosto, braços e fala. A ferramenta guarda a hora em que a pessoa foi vista normal pela última vez e indica o que fazer até a ambulância chegar.
Como verificar
Quando a pessoa foi vista normal pela última vez.
Cada passo é uma pergunta; qualquer uma pode ser pulada.
Diante de qualquer sinal encontrado — na hora, sem esperar o fim.
Confira cinco sinais, anote a hora e chame ajuda
Verificação BE-FAST
Ligue na hora, sem fazer a verificação, se a pessoa:
- está inconsciente ou não responde
- não respira normalmente ou tem convulsões
- se queixa de uma dor de cabeça súbita e fortíssima
Hora
Quando a pessoa foi vista normal pela última vez?
É a primeira pergunta do médico, e em vinte minutos já fica difícil lembrar.
Recursos
O que você pode fazer
- Verificar os sinais de AVC pelo esquema BE-FAST
- Chamar a ambulância pelo número do seu país
- Registrar a hora em que a pessoa estava normal
- Ver a assimetria do rosto pela montagem espelhada
- Mostrar à equipe de socorro a hora e os sinais em letra grande
- Saber o que fazer até a ambulância chegar e o que não fazer
Por que BE-FAST, e não FAST
O esquema FAST — rosto, braço, fala, tempo — é o clássico dos cartazes. Ele foi construído em torno dos sinais de lesão na circulação anterior do cérebro e é quase cego à posterior. Em um estudo retrospectivo de 2024, 39,1% dos AVCs de circulação posterior não teriam sido reconhecidos pelo FAST, e a sensibilidade nesse grupo foi de 58,7%, contra 97,8% do BE-FAST. A diferença são duas letras: perda súbita do equilíbrio e alteração súbita da visão. Uma pessoa com tontura forte e visão dupla, mas com o rosto simétrico, pelo cartaz “não está tendo um AVC” e vai se deitar para descansar. O outro lado é que há mais alarmes falsos. Para quem está ao lado, essa é a troca certa: o preço de uma chamada desnecessária é uma viagem da ambulância; o preço de deixar passar um AVC é a incapacidade. O BE-FAST é mais difícil de decorar que o FAST, por isso a ferramenta conduz passo a passo: não é preciso lembrar o esquema.
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sinais de AVC?
Eles surgem de repente: tontura e desequilíbrio, visão dupla ou perda de parte da visão, canto da boca caído, fraqueza ou dormência no braço ou na perna de um lado, fala enrolada ou dificuldade de entender as palavras, dor de cabeça súbita e fortíssima. A palavra-chave é “de repente”. Um só desses sinais basta para chamar a ambulância.
O que fazer em caso de AVC até a ambulância chegar?
Ligue para a emergência e informe a hora em que a pessoa foi vista normal pela última vez. Deite-a com a cabeça elevada; se vomitar, vire-a de lado; afrouxe roupas apertadas e não a deixe sozinha. Não dê comprimidos, comida nem água. Separe a lista de remédios e abra a porta para a equipe de socorro.
Por que não se pode dar aspirina?
Cerca de um em cada seis AVCs é uma hemorragia, e não uma obstrução. A aspirina dificulta a coagulação do sangue e, se houver hemorragia, a piora. Sem tomografia é impossível distinguir um caso do outro, por isso, antes do hospital, nada de remédios — nem mesmo os de pressão que a pessoa costuma tomar.
O que significa “visto normal pela última vez”?
É o momento em que se sabe com certeza que a pessoa estava bem. A partir dele contam as possibilidades de tratamento: a trombólise, até cerca de 4,5 horas, e em alguns casos, conforme a tomografia, até 9; a trombectomia, até 24 horas quando o quadro permite. Se a pessoa acordou com os sintomas, o ponto de partida é quando ela foi vista bem na noite anterior.
E se o tempo já passou?
Chame mesmo assim. As janelas são uma referência, não um requisito: quem decide é o médico, com base na tomografia. Mesmo fora da janela da trombólise, o atendimento não se resume a ela: há a trombectomia, o controle da pressão e a prevenção de um novo AVC nas horas seguintes.
Pode haver AVC sem o rosto torto?
Sim, com frequência. O AVC de circulação posterior começa com tontura súbita, desequilíbrio, visão dupla e, às vezes, vômito e soluço. O rosto fica simétrico, a fala é clara e os braços se sustentam. Por isso aqui são cinco sinais, e o equilíbrio e a visão são perguntados primeiro.
Dá para confiar na verificação do rosto pela câmera?
Ela não dá um veredito. Com as metades do rosto são montados dois retratos espelhados, e assim uma diferença marcante fica mais fácil de ver. Em qualquer rosto saudável as metades são um pouco diferentes, então procure o canto da boca ou a pálpebra caídos e compare com a aparência habitual da pessoa.
O que a medição dos braços com o celular mostra?
Se o braço desce em dez segundos: o sensor percebe quanto o celular inclinou na palma da mão. O que importa é a diferença entre os braços, não o cansaço dos dois. É uma dica, não uma medição médica: se tiver dúvida, confie nos seus olhos. Uma medição tremida é declarada inválida, e não “normal”.
Qual a diferença entre AVC e mini AVC?
O ataque isquêmico transitório tem os mesmos sintomas, que passam sozinhos, geralmente em menos de uma hora. No momento não é possível distinguir um do outro, então se age como em um AVC. Sintomas que já passaram são motivo para procurar um médico no mesmo dia: o risco de AVC nos dois dias seguintes é alto.
O número de emergência mostrado está certo?
O número é escolhido pelo país identificado pela sua conexão de internet. Confira o país ao lado do botão e troque, se necessário. No Brasil, o SAMU atende pelo 192; o 112 funciona em toda a União Europeia e, pelo celular, em muitos outros países.
Isso substitui o médico?
Não. É uma forma de não deixar passar os sinais e não perder tempo, não um diagnóstico. O diagnóstico é feito pela tomografia. A ferramenta diminui a chance de você decidir esperar até de manhã.
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